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Pulgas,
Pouco tempo faz que nosso querido sítio se encontra no ar e já decido presenteá-los com algo realmente bom: Especial Rancor - Os Mexericos de Torquemada. Esse especial saiu na revista Chiclete com Banana, da Circo Editorial, no ano de 1989. Pois é, já faz um tempo... não sei se devo usar este clichê, não sei... vamos ver... er... ok, ok, vou usar: mas continua bem atual.
É com este texto que inauguramos a seção "Especiais Pântano", onde você poderá desfrutar de qualquer coisa, senão dos nossos apoteosos artigos.
O autor das palavras logo abaixo é o escritor e dramaturgo Furio Lonza, que, à época, era o co-editor e colunista do JAM - uma seção que ficava dentro da revista. O significado desta sigla pode ser vários: "Jamais Amei Mamãe", "Jumento Alucina Mulheres", "Japoneses Arrenegam Medições", etc. Coisa de primeira.
Pesquisando nos meus alfarrábios, encontrei tal preciosidade quase esquecida. Enviei um e-mail para Furio (observem a minha pretensiosa intimidade) que, gentilmente, concedeu-nos a autorização para postá-lo aqui no Pântano. Por isto vai meu sincero - sincero mesmo - agradecimento ao escritor por tamanha gentileza e solicitude.
Furio Lonza, evidentemente, não só escreveu isto. Ele é autor de diversos livros, abaixo uma lista dos que consegui encontrar no site do Submarino:
1. Eric com o Pé na Estrada
2. Quarenta Anos de Rock: Período Jurássico (1962-80)
3. Quarenta Anos de Rock: Período Pós-Jurássico (1981-95)
4. Como Enlouquecer Seu Filho...
5. As Mil Taturanas Douradas
6. Máquina de Fazer Doidos: Guia de Auto-Ajuda para Quem Assiste TV
7. O Que é Isso, Maconheiro?
8. Contos de Esquina
Bom, apreciem o texto. Não se mal-acostumem, pulgas inúteis, não será toda semana que jogarei minhas pérolas a vocês, porcos.
Fisherman
fisherman@pantano.intocaveis.org

RANCOR
OS MEXERICOS DE TORQUEMADA
Tomás de Torquemada (1420-1498): o patrono da nossa coluna, foi o nome mais importante da Inquisição espanhola na Idade Média. Intolerante, cruel e fanático, Torquemada ficou conhecido por condenar à fogueira mais de 10 mil hereges. Cientes de nossas limitações, ficaremos satisfeitos se atingirmos dados bem mais modestos, mas igualmente expressivos.
SÍNDROME DO EMPUTECIMENTO PROGRESSIVO
Falta povo neste país. Até um tempo atrás, a opinião corrente era de que "cada povo tem o governo que merece". Mentira! Qualquer governo, por mais safado que seja, ainda é muito para esse povo sem brios, sem vergonha na cara, esse povo burro e ridiculamente humilde, vaquinha de presépio que engole tudo até o talo, até a última gota, todos os sapos, todos os calangos, esse povo cativo, covarde, sempre com o rabo entre as pernas, esse povo sem História, sem memória, sem moral, sem dignidade, esse povo que marchou com Deus, pela família, esse povo que deu seu ouro para o bem do Brasil, esse povo que vive coçando a virilha, que bebe cerveja sem colarinho, lê horóscopo e coluna social, esse povo que encoxa mulher no ônibus, que cheira cola, esse povo que é puxa saco do gerente, alcagüete de polícia, esse povo que, em dia de greve de ônibus, pega táxi pra ir pro escritório, que pega avião para assistir Chitãozinho & Xororó em Las Vegas, esse povo que se forma publicitário pra vestir um espartilho negro e ficar todo dia de quatro alimentando uma boa carreira, esse povo que come merda, respira merda, pensa merda, faz na entrada, na saída, no meio e ainda deixa um pouco atrás da porta, pra ser encontrado no dia seguinte, esse povo cujo lema oficial é Capricha, que o freguês é novo, esse povo que ouve as FMs, acredita no Jornal Nacional, que é sócio do Círculo do Livro, que coleciona figurinhas do Jáspions e Change-men, que vai ao cinema ver 9 e Meia Semanas de Amor, esse povo besta que deixa a Xuxa fazer a cabeça de seus filhos, que compra O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault e não lê, que ouve hip-hop, compra discos da Joana, Tom Waits, Almir Guineto, esse povo que tem sempre um cunhado no Detran e um terreninho em Guarulhos pra passar pra frente, esse povo que é de esquerda até arrumar um cabidão na Eletropaulo, esse povo que tem filhos com nomes tipo Daniela, Priscila, Tiago, Evelyn, Patrícia, Graziela, Leandro, Vanessa, Camila, Letícia, Cristiane, Andréia, Diego, Érica, esse povo que paga uma fortuna por um vídeo cassete e só assiste bosta, esse povo místico que foi sebastianista por tabela, esse povo cujo ancestral índio acolheu o português de braços abertos em 1500, que rezou a 1ª missa bem comportado junto com os jesuítas, esse povo que recebeu a independência do Imperador da colônia, esse povo que proclamou a República e botou um militar no lugar do rei, esse povo cujo maior representante socialista se diz herdeiro político do maior ditador brasileiro.
NUREMBERG ERROU
As cenas ainda estão bem nítidas em nossas retinas: quatro ou cinco soldados israelenses acuando dois jovens palestinos, tentando claramente quebrar-lhes os braços com porretes. O mundo se indignava com essas e outras atrocidades cometidas impunemente e veiculadas via satélite. Israel não saiu da Cisjordânia, nem da Faixa de Gaza, aqueles arrepiantes massacres de civis não terminaram, a invasão das mesquitas e a tortura indiscriminada de homens, mulheres e crianças não diminuíram. A coisa continua quente. Contudo, essas notícias simplesmente desapareceram do noticiário das TVs, jornais e revistas nacionais. Resta saber quanto a Imprensa brasileira está recebendo da comunidade circuncidada de empresários, grandes industriais, banqueiros e políticos para mocosarem tudo isso.
CHUCK BERRY FEZ NA SAÍDA
Tremendo mau caráter o Chuck Bery. Tem um vídeo (Hail, Hail, Rock'n'roll) rodando pelas locadoras que mostra isso com uma clareza cristalina. Egocêntrico, machista, megalomaníaco, autoritário, mercantilista, soltando desafinados riffs de críticas sociais, atravessando os compassos da discriminação racial dos EUA, dando umas entortadas no Keith Richards porque não pegava o tom, impedindo sua mulher de responder uma pergunta sobre o primeiro casamento, depois de deixar claro que a traía mocosadamente, tratando os músicos nos ensaios como se fossem débeis mentais e mostrando que depois de 60 anos ainda não conseguiu a maturidade suficiente para olhar o passado sem rancor ou mágoas. Tudo emoldurado por uma falsa espontaneidade de script. No final do show em sua (auto) homenagem, ele entra no palco cavalgando um tremendo carrão vermelho de dez metros de comprimento, provando que o negócio dele é grana e foi gênio por acaso. No fundo, queria ser branco; no fundo, queria fazer baladas; no fundo queria ser Pat Boone. Chuk Berry inventou o rock'n'roll, mas fez na saída.
VÔMITO NO TAPETE
Bruna Lombardi recebeu perto de 20 mil Cruzados Novos para fazer um anúncio de jóias na TV e ainda brindou seu público ávido com este inspirado poema: “Tem dias que eu sou bela / Tem noites que eu sou fera / Eu sou como você me quer / Sou do jeito que eu quiser / Sou mulher nas lojas H. Stern”.
Dina Sfat: Comprovado. O Tang realmente tem elementos cancerígenos em sua fórmula.
Me acordem na hora do tiroteio (Janis Joplin)
Ontem, arrebentei o espelho do meu quarto. Já não necessito de mitos. (Furio Lonza)
É também através de seus pedidos que se conhece melhor um homem (Samuel Beckett)
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ILMO. SR. MARK CHAPMAN
Penitenciária de New York
Pavilhão psiquiátrico
Ala 78 - cela 21
Nove anos já se passaram, meu rapaz. Nove longos anos desde que você tomou aquela intempestiva decisão de matar o John Lennon, enlutando de vez o mundo do rock. Mas, mudando de assunto, você conhece o Phil Collins?
Saudações
Torquemada Jr. |
Se o rock fosse o Titanic, Lulu Santos seria o iceberg.
(in CHICLETE COM BANANA, edição histórica nº 19, 1ª edição: junho de 1989, 2ª edição: janeiro de 1992, Circo Editorial., pág.36 e 37.)
IGREJA
Brasil é o paraíso da fé. Tudo quanto é religião, seita e associação para enganar, iludir e estagnar o povo vem para cá. Recebe apoio do governo e enriquece. Essa mesma Igreja que queimou vivo o filósofo Giordano Bruno pois, entre outras coisas, não acreditava na virgindade da Nossa Senhora, que condenou Galileu Galilei por afirmar que a Terra girava em torno do Sol, obrigando-o, sob ameaça de tortura, a retratar-se, o que atrasou a Ciência por uns 300 anos, essa Igreja que fomentou a carnificina imperialista das Cruzadas na Idade Média, que aliou-se ao fascismo na 2ª Guerra Mundial e recebeu um cheque de Mussolini no valor de US$ 87 milhões, entregue pelo ditador em cerimônia pública diretamente ao Papa Pio XI, essa Igreja que roubou todos os maiores tesouros dos países e regiões que o Império Romano invadia, essa mesma Igreja dos jesuítas que vieram emporcalhar as Américas, particularmente o Brasil, onde foderam com a cultura indígena, impediram a importação de centenas de obras literárias, criando um índex de livros proibidos e atrasando ainda mais a cultura e a ciência, essa Igreja que apoiou os Médicis, famosa família de banqueiros de Florença, que espalhou o terror por toda a Europa e resto do mundo, acusando de bruxaria qualquer um que discordasse de sua doutrina moralista e reacionária, essa Igreja que vendeu indultos a preço de ouro, essa mesma Igreja cuja doutrina está fundamentada no medo, na submissão, no remorso, na punição, essa Igreja que diz pro adolescente que bronha é pecado e dá espinhas na cara, que apoiou Napoleão em sua sanha conquistadora, que até hoje não aceitou as teorias de Darwin, que inventou um Deus arbitrário, cruel e machista, que condenou a Teologia da Libertação e proibiu o frei Leonardo Boff de abrir a boca, essa mesma Igreja que apoiou abertamente a Guerra Civil Espanhola, abençoando o ditador Franco, que recebeu também ajuda militar de Hitler e Mussolini para perpetrar o maior e mais sanguinário massacre de civis da História.
ESSE POVO (PARTE II)
Esse povo que sabe mais de horóscopo chinês do que dos direitos civis, que sabe mais de I Ching, Tarô, Cabala e Kardecismo do que da História do Brasil, que entende mais sobre os mistérios da Ilha de Páscoa, Triângulo das Bermudas e da Atlântida do que de política, geografia e literatura, esse povo que antes de perguntar o nome da pessoa, pergunta o signo e o ascendente, esse povo que faz mapa astral, que só tem orgasmo quando o parceiro nasceu no segundo decanato, esse povo que acha que Lobsang Rampa é realmente indiano, esse povo que conhece mais de Chico Xavier e André Luiz do que Antônio Conselheiro e Chico Mendes, esse povo que lê Khalil Gibran, Richard Bach e Castañeda, esse povo que devia saber que espírito de luz é apenas um funcionário fantasma da Eletropaulo e a Terceira Visão nada mais é que o olho do cu.
Você sabia que a metralhadora foi inventada antes da máquina de escrever?
(in CHICLETE COM BANANA, edição histórica nº 18, agosto-setembro de 1989, Circo Editorial., pág.20.)
ESSE POVO (PARTE III)
Esse povo jovem que só lê gibi, bebe Bliss, suco de frutas, que come sanduíche natural, esse povo que faz ponto na escadaria do Objetivo, que troca as minas por qualquer joguinho de basquete ou vôlei, esse povo cheio de espinhas na cara, filho da classe média, que não consegue articular frases com sentido, esse povo que fez de uma tábua de madeira com quatro rodinhas embaixo uma filosofia de vida, esse povo que chama camisinha de capote mas não usa porque acha que AIDS só dá nos outros, que faz taekwondô, que brinca com videogames, que vai votar no Maluf, esse povinho bunda que esmerdeia as paredes da cidade com idiotices como tchenchos, xila, the vadios, Mafia, fobia, paranoya, hoysten, esse povo que é da geração saúde, que cuida das calorias, que malha nas academias pra ter um corpinho legal, mas não trepa, que tem a pele dourada, olhinho puxado, vesguinho e lábio carnudo mas não beija nem chupa pescoço, esse povo que vive medindo no vidro do metrô se a bundinha está empinada, mas não solta o rabo, esse povo que é boy e desce pela porta de trás do ônibus, esse povo que abre a Chiclete com Banana só pra ver as tiras do Bob Cuspe e pula as páginas de texto, que diz ferinha, gato, pegas, tchurminha, maromba, tipo assim, esse povo que toca três bronhas por dia, 21 por semana, 84 por mês, 985 por ano e perto de 8 mil até os 16 anos, esse povo que ouve The Cult, Pet Shop Boys, Morrisey, esse povo que hoje reclama da falta de liberdade, mas amanhã, ao assumir o cargo de vice-presidente da fábrica do papai, na primeira greve com certeza vai mandar a polícia descer o cacete na peãozada.
TORTURA DO MÊS
Gostamos de ver, petizada, o leitor Ronson Cavalcanti, do bairro paulistano de Engenheiro Goulart, mais conhecido entre seus colegas de turma por Garrote Vil da Zona Leste, nos manda esta engenhosa tortura, com a qual inauguraremos esta nova seção:
1. Compre um cachorro buldogue bem feroz, tranque-o numa salinha de dois por dois metros e deixe-o sem comer por dez dias;
2. Escolha sua vítima e tranque-a numa outra salinha de iguais dimensões, deixando-a também sem comer por igual período de tempo;
3. Essas duas salinhas são unidas por um corredor estreito de no máximo três palmos de largura, o suficiente para a vítima poder movimentar-se cautelosamente apenas de lado, a duras penas;
4. Forre as paredes laterais deste corredor de cima a baixo com giletes bem afiadas;
5. Ao final dos dez dias de fome, abra a porta da vítima que, com certeza, percorrerá o corredor vagarosamente, ferindo-se um pouquinho nessa trajetória;
6. Quando a vítima estiver bem perto da outra salinha, abra a porta e solte o cachorro;
7. Em pânico ante os uivos e a salivação do cão que, faminto, mostrará seus dentes arreganhados, a vítima tentará voltar pelo corredor, agora às pressas;
8. Apague a luz.
Amigo é bago de cachorro, só anda junto.
(in CHICLETE COM BANANA, edição histórica nº 20, novembro-dezembro de 1989, Circo Editorial., pág.18.)
OS HERÓIS DO BRASIL
O brasileiro nunca teve a capacidade de se indignar. Um calor da porra na cabeça, a tradicional falta de caráter e uma ignorância milenar criaram um povo inconseqüente e manipulável, a ponto de engolir com facilidade falsos ídolos e pseudo heróis da História. A seguir, uma pequena galeria dos mais representativos.
JOSÉ DE ANCHIETA
O eminente jesuíta veio catequizar os índios nativos em 1500 e pouco. Para se ter uma idéia do que acahava de sua massa de manobra, é interessante recorrer às suas falas: "Os índios são de tal forma bárbaros e indômitos que parecem aproximar-se mais à natureza das feras que à dos homens" (1554). "Para este gênero de gente, não há melhor pregação do que a espada e a vara de ferro" (1563).
DUQUE DE CAXIAS
Foi o maior assassino da História do país, botando no chinelo o Médici, o delegado Fleury, o Esquadrão da Morte e o Felinto Müller. Num dos episódios mais vergonhosos da Guerra do Paraguai e da História do Brasil, mandou jogar cadáveres no rio que abastecia cidades próximas, com o objetivo de contaminá-las com cólera e matar a população civil. E agora uma bomba: ninguém sabe, pois isso jamais foi divulgado por ser um assunto sigiloso das Forças Armadas, guardado a sete chaves: o Duque de Caxias é parente em linha direta de Joaquim Silvério dos Reis, o traidor de Tiradentes.
RUY BARBOSA
Não podia mesmo ter dado certo. Um país que tem como ídolos caras como Ruy Barbosa deve realmente tirar o cavalo da chuva. Foi o maior picareta da História e o maior filho da puta. Combateu o voto operário e a criação das sociedades e cooperativas de trabalhadores, porque era "contra a desordem, a exageração e as utopias". Foi nomeado ministro da Fazenda em 1889 e inventou a primeira inflação desenfreada brasileira, o que o obrigou a demitir-se em 1891. Para finalizar com chave de ouro, o grande Ruy combateu a vacina a varíola e justificou sua posição através de um discurso que é uma pérola de sandices: "Não vou me expor a envenenar-me com a introdução no meu sangue de um vírus em cuja influência existem os mais fundados receios de que seja condutor da moléstia ou da morte"
OS MATARAZZO
Em dez anos de Brasil, esses imigrantes italianos construíram o maior complexo fabril da América Latina. E conseguiram isso através de um trabalho quase escravo. A jornada de trabalho era de 16 horas diárias em semanas de 6 ou 7 dias úteis. Não existia previdência social, direito à aposentadoria, as demissões eram corriqueiras e sem maiores explicações e os freqüentes acidentes de trabalho nunca eram indenizados. As crianças operárias eram diariamente espancadas pelos capatazes. As mulheres, além de receberam salário inferiores, viviam constantemente na mira dos chefes carcamanos, que queriam comê-las de todo jeito.
EUCLIDES DA CUNHA
Louco para entrar na História, Euclides trabalhava que nem uma besta pro Estadão, dando sangue pros Mesquita. Viajava pacas, era repórter e foi cobrir a Guerra de Canudo. Mais tarde, botou tudo no catatau Os Sertões, uma visão bastante preconceituosa da campanha libertária de Antônio Conselheiro. Numa dessas, deixou seus deveres conjugais de lado. Constantemente a perigo, sua mulher arranjou um caso. E engravidou. Euclides, possesso, deixou o moleque nascer, mas impediu que a mãe o amamentasse, matando-o de fome e enterrando o corpo no quintal. Foi incompetente até o fim. Quando tentou matar o rival, tomou um tiro no meio dos cornos, pondo fim ao adultério mais famoso da História da Literatura Brasileira.
(in CHICLETE COM BANANA, edição histórica nº 21, abril de 1990, Circo Editorial., pág.47.) |