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O sexo na bucha, na lata, na vera, no duro (wêpa!).
Depois do FAQ Sexual Universitário, depois do artigo As invasões balzaquianas, o PÂNTANO, mais uma maldita vez, leva a você o Sexo é Foda, suplemento literário que trata o sexo sem meias verdades, sem nhem-nhem-nhem, sem a carapuça ocidental-judaico-cristã-neo-liberal-burguesa-vaselina. Aproveitem a agradável leitura. Mandem seus relatos e cartinhas para o nosso e-mail.
Cartas das leitoras
Caro senhor Fisherman, depois de virar viúva cedo e ficar na pedra durante dois anos, arrumei um namoradinho. Ele é somente 18 anos mais novo do que eu, é lindo, paciente e educado. Apesar de sempre estar em dificuldades financeiras, é uma pessoa equilibrada, veste-se bem. Mas nem tudo é perfeito, né? A primeira coisa é que acho que ele é alcóolotra, a segunda é que não sinto muito prazer no sexo com ele, apesar dele demorar horas dentro de mim e ter um membro bastante normal aos meus olhos. O que faço? (Conceição, Natal, RN, 42 anos)
Olá, Conceição, tudo bem? Fico feliz em receber sua cartinha. Que bom que você desencalhou, criatura, mas duvido muito que você tenha ficado dois anos no rato. Na verdade, eu até duvido que você seja viúva, você deve ser uma titia do caralho. Mas vou dar um crédito pra você, ok? Bom, o seu problema é normal demais e vou te explicar o que é pra você se ligar: você é feia feito o cão, deve ganhar uma grana tendo aquele empreguinho nível médio que conseguiu no trenzinho-da-alegria antes de 1988, tem um Gol ou um Uno 2002 e vive com esse fogo no rabo. Arrumou um cara pra te comer, que você apresenta pras suas amigas como "namorado", o garotão fica coladão no teu dinheiro, tomando whisk nas tuas costas pra poder encarar o dragão que você é. Na hora do boravê, o pequeno notável que o rapaz tem entre as pernas fica na posição meia-bomba que, dentro desse buracão que você chama carinhosa e ironicamente de xaninha, fica parecendo um badalo, comparando a bitola do rapaz com a sua. Solução: redução de estômago, quatro horas de exercício por dia, plástica sem exageros e para a cabeludinha, rá!, essa é a parta mais fácil: pegue uma bacia, enche com água até a metade, salpica pedra-hume e, voi-lá! Arrocha as carnes. Beijoca.
Oi, Fisherman! Eu sei que você estava esperando cartas de mulheres, mas sou homossexual e queria que você me ajudasse. Meu namorado anda querendo experimentar rachas e quer convidar uma para fazer amor conosco. Eu estou com medo dele gostar, virar homem e eu levar um pé-na-bunda. Sou lisinho, tomo hormônio e tenho até peitinhos, não sei porque ele está interessado em mulher. Obrigada por me ajudar. (Kleberson, Jaboatão dos Guararapes, PE, 19 anos, capricorniano)
Bicha filha da puta! Quem mandou escrever carta pro Pântano? Puta que pariu. Bom, já como só recebi duas cartas, a da coroa puta e a sua, vou ter que te responder: mas não te acostuma, não, chups-chups! Em primeiro lugar, olha o respeito: SENHOR Fisherman, ok? Bom, vamos ao teu problema. Se o teu namorado quer experimentar comer uma xavasca, qual o problema? Não confia no teu tac... aliás, buraco, não? E outra, uma vez Flamengo, sempre Flamengo, a probabilidade de alguém ser ex-biba é muito pequena, é mais fácil se curar de AIDS. E se ele gostar mesmo de colocar o pinto dentro daquele buraco gostoso, quente e úmido (isso, bicha, vomita!), ele não vai virar homem, o máximo que ele vai virar é um jornalista bem sucedido. Por último: pra que caralho você me enviou seu signo, sua menina peralta!?
RELATO Amo meu filho, mas acho que amo demais
Olá, meu nome é Débora Souza [nome trocado para preservar a imagem de Priscilla Cristynna Amaral da Costa - editor: retirar na hora da publicação, obrigado!], tenho 54 anos. Há, mais ou menos, 27 anos, envolvi-me com um policial militar da minha cidade natal, que fica no interior de Goiás. Na época ele era casado e engravidei dele. Ele disse que se eu contasse pra alguém que a criança era dele, ele mataria minha mãe, meu pai e meus dois irmãos mais novos, além disso atearia fogo na minha casa. No domingo seguinte, quando fui para a missa, na hora leitura, escalei-me para falar ao microfone. Quase todos os meus conhecidos, inclusive ele e a família, estavam por lá. Eu era uma menina corajosa e decidi, ali mesmo, no altar da igreja, contar toda a história. Até hoje me arrependo do que fiz, ele cumpriu parcialmente a promessa: chegou com mais dois capangas, me retirou da casa puxando meus cabelos, trancou todos lá dentro e colocou fogo. Enquanto a casa pegava fogo, os três me estupraram, depois fui golpeada várias vezes com pedaços de pau na barriga. Por sorte, o meu irmão caçula não morreu, mas ficou cego, perdeu a língua e perdeu grande parte da audição, além de ter ficado bastante deformado. Por sorte também, não perdi o bebê, que mesmo depois da surra que levei, continuou firme e forte, uma vontade incrível de viver. Mudei-me para São Paulo, deixando meu irmão aos cuidados de uma tia minha. Depois de passar muita dificuldade, dei a luz a Thiago. Aos sete anos de idade, levei-o ao médico, suspeitava que ele não era uma criança como as outras. O médico me disse que não era normal que Thiago, na idade dele, não falar e constatou que o menino tinha retardo mental. Encarei isso com muita naturalidade. Depois de alguns anos, hoje ele com 26, vou no abrigo visitá-lo semalmente. O meu atual marido, que me bate toda vez que chega bêbado em casa, não quer que o menino fique comigo, por isso tive que colocá-lo numa casa de assistência a deficientes mentais. O problema é que, desde que ele tinha 20 anos, os carinhos que ele passou a me dar eram mais íntimos. Ficava próximo aos meus seios e, com a mão, mastubarva-se lentamente. Ele é ser humano, sei que ele tem as vontades deles, assim como tenho as minhas, já que meu marido não me visita mais na cama. Um dia, quando fui visitá-lo, subornei a enfermeira e pedi que reservasse um quarto todas as vezes que fosse visitá-lo. Da outra vez que fui por lá, ele estava no quarto me esperando. Depois de todos os carinhos que recebi, comecei a fazer carinhos nele também. Eu nunca tinha o visto rir, tinha sido a primeira vez, um riso meio desengonçado. Mantivemos relações sexuais ali mesmo e, só então, naquela situação, vi que ele ficava feliz. Depois de uma vida miserável de invalidez e solidão, vi que meu filho, meu filhinho, enquanto transava comigo, era uma pessoa feliz, parecia até uma pessoa normal. No começo era um sacrifício, passava dias sem dormir pensando em tudo aquilo, lamentava-me e chorava muito. Mas tinha que fazer aquilo por Thiago. Mas, hoje, vejo que não é tão sacrifício assim, na verdade, sendo muito honesta, sinto prazer. Mas não é prazer materno, é prazer de mulher mesmo. Tinha que desabafar, por isso mando este relato. Não sei até onde isso vai, mas não acho que esteja fazendo a coisa certa. Não quero opinião de ninguém, descobri que, com o tempo, tudo se resolve. Obrigada por me dar este espaço.
(breve: edição número 2)
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