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 05/09/2010
A Bíblia do Mentiroso Social   PDF  Imprimir  E-mail 
Por Brainiac  
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“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”

 

Após o sucesso de crítica e público do “Manual de Defesa Pessoal do Intelectual Moderno”, o Pântano orgulhosamente apresenta:

 A BÍBLIA DO MENTIROSO SOCIAL
 

"There are three kinds of lies: lies,damned lies and statistics", Benjamin Disraeli.
Toda mentira é uma verdade que não souber encontrar sua ocasião”, Raul de Leoni.
A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”, Mário Quintana.

 

Com o advento do século XX, vimos Einstein demolir a “objetividade do Tempo/Espaço”; vimos Popper, Feyerabend e outros demolindo a “verdade científica”; vimos Picasso e os modernistas demolindo a nossa noção de “estética do belo”!!! Foi-se o tempo da “Alethea” grega, o que não poderia ser esquecido, pois era universal, verdadeiro, objetivo.

Somado a isto, existem importantes considerações a serem feitas sobre o que representa a “verdade” e a “mentira” em nossa sociedade, nas relações sociais entre os indivíduos, como podemos ver no texto abaixo de Matt Ridley, importante teórico da biologia comportamental:

 

"Na ópera Tosca, de Puccini, a heroína enfrenta um dilema terrível. Seu amante Cavardossi foi condenado à morte por Scarpia, o chefe de polícia, mas Scarpia lhe fez uma proposta. Se Tosca for com ele para a cama, ele poupará a vida de seu amante, pedindo ao pelotão de fuzilamento que use balas de festim. Tosca resolve enganar Scarpia concordando com seu pedido, matando-o a facadas depois que ele dá a ordem para usar cartuchos de festim. Tarde demais ela descobre que Scarpia também a enganara. O pelotão de fuzilamento usa balas reais; Carvadossi morre. Tosca se suicida. Os três acabam mortos.

Apesar de não entender a coisa desta maneira, Tosca e Scarpia estavam participando de um jogo, em verdade o jogo mais famoso da teoria dos jogos, ramo esotérico da matemática que estabelece uma estranha ligação entre a biologia e a economia. Esse jogo foi essencial para uma das descobertas científicas mais empolgantes dos últimos anos: nada menos do que a compreensão dos motivos que levam as pessoas a serem amáveis. Mais ainda: Tosca e Scarpia jogaram de maneira prevista na teoria do jogo, apesar das trágicas conseqüências para ambos. Como isso é possível?

O jogo é conhecido como dilema do prisioneiro e é jogado sempre que há conflito de interesse pessoal e o bem comum. Tanto Tosca como Scarpia sairiam ganhando se cumprissem a sua parte de acordo: Tosca salvaria a vida do amante e Scarpia iria para a cama com ela. Mas, indubitavelmente, cada qual teria um lucro ainda maior se fizesse o outro cumprir a parte dele e não cumprisse a sua: Tosca salvaria o amante e a honra; Scarpia dormiria com ela e se livraria do inimigo.

E, como o senso comum praticamente nos leva a achar que o outro sempre trapaceia, é sempre melhor tentar também trapacear.

O cotidiano é formado por n situações que envolvem questões como o dilema do prisioneiro. Com um desconhecido, em uma única chance, é consensualmente certo que é melhor trapacear, é estatisticamente, logicamente melhor trapacear; mas, com um grupo, em uma sociedade, é também provado estatisticamente que a cooperação, mesmo que o outro trapaceie (não sendo, claro, uma questão de vida ou morte), é o melhor caminho, pois invariavelmente, supondo-se que sejam pessoas minimamente inteligentes, irão cedo notar que confiar, ceder, colaborar acaba levando o outro a responder do mesmo jeito.

Parece um raciocínio um tanto simplista, mas é assim que a bondade evoluiu de nossos instintos egoístas até criar instituições como a Anistia Internacional ou o Fundo para a Fome das Nações e ONG’s.

Os exemplo antropológicos são inúmeros, não é uma conclusão acadêmica. Desde os índios do alto Amazonas, pigmeus, bosquimanos, mongóis, eskimós, tuaregs, até aborígenes da Nova Zelândia houveram que aprender a resolver o dilema do prisioneiro se queriam sobreviver.

Caçadores e coletores dividem uma mesma área. São inimigos naturais, mas cada um desenvolveu uma aptidão que se alimentos interessantes ao outro, então, encontram-se para trocas. Se algum dos lados resolver matar o outro e tomar os alimentos, futuramente, ficará sem os tais. Uma tribo pode fazer isto algumas vezes, mas, invariavelmente, com tempo e um pouquinho de pensamento, cada lado vai notar que estaria cometendo uma besteira sem fim. Claro que uma ou outra, de vez em quando, acaba trapaceando, como em qualquer situação de nossas vidas, mas esta trapaça tende a ser improdutiva a longo prazo.

À medida que alguém coopera, não trapaceia, e o outro o faz, o primeiro pára de cooperar, e o segundo acaba não levando mais vantagem nenhuma. Um típico e óbvio caso de “mais vale um na mão...”

 

No entanto, o que há de “errado” no raciocínio do Dr. Matt Ridley? Por que a real cooperação acaba sendo tão rara?
Simples, porque a maioria das pessoas geralmente não se mete em situações suficientes, com os mesmos envolvidos, para que seja detectado que um indivíduo não “coopera”, que ele “mente”... (Só os idiotas são pegos!)

Além disso, há um outro fator subestimado na equação: a vontade humana de se auto-enganar. Isto é, em várias situações do cotidiano, as pessoas “preferem” não saber.

O exemplo clássico disto eram as “mães de família” de antigamente, todas sabiam que seus maridos procuravam prostitutas, mas havia uma espécie de pacto tácito, escondido, para que o assunto não chegasse à “sociedade”. Outro exemplo que se pode dar é a nossa “boa vontade” com pessoas reconhecidamente bonitas. Estas são mais facilmente amáveis, desculpáveis, perdoáveis, independentemente de qualquer característica de caráter. Nós temos a tendência inconsciente de nos enganar ao esquecer um exame de bom senso e achar, a priori, que gente bonita é incapaz de cometer certos atos.
 

Observando, então, a relativização dos conceitos, reconhecendo o poder da “enganação”, da “mentira”, do “passar pra trás”, o Pântano, sempre atento às necessidades imediatas de seus leitores (Mulher, Cerveja e escapar fedendo!), traz aqui as melhores “READY-MADE LIES” disponíveis no mercado social, para que você possa se torna um autêntico artista de fugas sentimentais, salteador de situações embaraçosas e, claro, criminoso até julgado, mas nunca encarcerado. Então, sem mais delongas, para detonar os idiotas que respondem ao Dilema do Prisioneiro com “cooperação”, trazemos a vocês:

 

10 Mentiras prêt-à-porter:

1) “Prometo não ejacular na sua boca!”:
Muito útil se sua namorada, ou a putinha que você estiver comendo, for daquele tipinho “ai que nojo!” ou “tem gosto de água sanitária”. A grande vantagem desta mentira é que você pode e deve agregar outras mentiras, para diminuir o impacto-gosto:


a)Foi sem querer” (a mais fraca de todas, embora freqüentemente efetiva, pois ela te ama... as mulheres amam, cara!)
b)É que ando meio estressado, aí fico com ejaculação precoce” (Todo mundo vive estressado na modernidade, então este é um motivo aceitável, de cara, pela maioria das mulheres que lê Marie Claire e publicações afins. Além disso, você pode incrementar a coisa, inventando problemas no trabalho, doenças na família, etc...)

 

2) Só vou meter a cabecinha!:
É a mentira-padrão quando você quer tirar um cabaço. E as mulheres QUEREM que você a conte, pois QUEREM liberar a prexeca e, ao mesmo tempo, PODEM culpar alguém por isto (Na cabeça delas: não foi a filhinha do papai que deu, foi o tarado do namorado que comeu!). No caso do sexo anal com mulheres, a coisa é mais complexa, mas você pode usar as seguintes táticas diversivas:


a) CANALHA: Depois de meter o pau todo, fazendo um reconhecimento interno do intestino grosso e delgado da menina, você pode dar uma gargalhada e dizer: “Pau não tem ombro, tudo é cabeça!!!”
b) SENSÍVEL: “Escorregou, meu amor” (Esta tática deve ser precedida do uso de lubrificantes, senão perde a sua força de persuasão!)
c) HARDCORE: Coloca a mulher de 4, calmamente, carinhosamente, dá uma cotovelada no rim direito dela, quando ela se esticar toda de dor, você mete os 23cm no rabo dela, que ela não vai sentir nada (no rabo!).

Obs.: No caso de sexo anal com homens, você não precisa de desculpa, pois eles querem tomar mesmo no cu, seu viado safado!

 


3) “É que eu depositei usando envelope”:
Sumamente útil neste Brasil de endividados. Todo mundo sabe que as compensações nos bancos sempre demoram mais quando se usa envelope, desta forma, todos podem ser enganados por alguns dias com esta mentira. Agora, se você precisa de mais tempo, há uma variação desta mentira bem mais interessante, embora, em último caso, possa até gerar cadeia:


a) Vá ao banco, preencha REALMENTE o envelope com os dados da conta do otário, NÃO COLOQUE NADA NO ENVELOPE, lacre-o e deposite no caixa eletrônico!!! Desta forma, você poderá inclusive mandar por fax uma cópia do comprovante do depósito que você NÃO FEZ!!!


Obs.: CONTRAINDICAÇÕES - Não utilizar muito, porque aí vai caracterizar estelionato e tal!

 


4) “Estou doente...”:
Esta mentira é um clássico do funcionalismo público, mas que também dá certo com namoradas, provas, aniversários, enterros e demais programas de corno! Também não se pode usar muito, a não ser que você tenha um amigo médico que lhe passe atestado. E, se depois de pegar atestado com o amigo 20 vezes, ele se recusar, alegando “ética médica”, você manda ele tomar no cu e faz o seguinte:


a) Pega um dos atestados que o seu amigo passou, copia o CRM dele, faz uma caligrafia parecida e detona novos atestados. Se você for pego, pode se foder por falsificação, mas aí você chora na frente do seu amigo e ele, otário que é, libera e assume a coisa.


Obs. Para um negócio mais profissional, você pode mandar fazer um carimbo igual ao do seu amigo, no máximo uns 10 reais.

 


5) “Eu não sabia!” (e sua mentira-irmã: “Não sei!”):
A filha de todas as mentiras, já que a mãe foi a serpente (“Come, Eva, come...”). Largamente usada desde os tempos de Cain e consagrada por políticos de toda parte do mundo. Para praticamente qualquer situação, é indicada:


a)Quem bebeu o Red Label que estava aqui?” = Não sei!
b)Mas ela só tinha 13 anos!!!” = Eu não sabia!
c)Por que você não me avisou na troca que o dólar canadense vale menos que o americano?” = Eu não sabia!
d)Por que você não me avisou que ia doer tanto?” – Eu não sabia!
e)Quem mexeu no meu queijo?” – Não sei!


Obs.: CONTRAINDICAÇÕES- Não se pode utilizar esta mentira quando se tem OBRIGAÇÃO de saber, porque aí você vai se lascar também:


a) “Mas Doutor, por que o senhor fez a traqueostomia com uma faca de cozinha suja?”
b) “Por que você está tendo um caso com minha melhor amiga?”
c) “Por que você não pediu prisão reservada antes que seu cliente, rico e pedófilo, fosse currado pelos Blocos D e F?”

 

 

6) “Sou alérgico”:
Já repararam na lista de coisas que aparece quando se faz exames de alergia? De repente, você é alérgico a coisas que você nem sabe o que é: krill, pêlo de mussaranho, essência de perfumes levemente almiscarados, chicória, etc... Assim, você pode alegar alergia à praticamente qualquer coisa, sem parecer viado:


a) Buço de mulher feia;
b) Pelo de buceta não aparado de rapariga;
c) Líquido de menstruação;
d) O bolo solado de ameixa que a sua sogra faz todo domingo;
e) O miojo-sabor-churrasco que sua mulher deixa pra você enquanto vai “trabalhar”, etc...

 

 

7) “Isto você diz porque tem total desconhecimento das idéias de X” (Insira qualquer nome obscuro, de preferência algum nome russo ou indiano):

Como foi fartamente explicado no Manual de Defesa do Intelectual Moderno, esta mentira deixa o alvo perplexo e incapaz de reagir. Para melhorar a coisa, minta progressivamente mais ainda, citando outros nomes que concordam com a sua mentira inicial e aumente, quando necessário, o nível de importância das “autoridades” citadas:


a) A professora da Academia Kalashnikov, de Revogrado-Rússia, Helena Bovinskaya, 12 vezes indicada ao Nobel já teve seu trabalho reconhecido mundialmente, desacreditando totalmente esta sua visão dos fatos(Obs.: os indicados ao Nobel não são conhecidos pelo público, golpe usado pelo charlatão Omar Khayan no mamão do Jô Soares);
b)
Ragnakhrishna Bramaputaramini, cônego emérito e ocupante da cátedra Max Born na Universidade de Waldorf, País de Gales, publicou recentemente uma demonstração matemática, baseada inteiramente nas refutações Goddelianas à decibilidade das equações pseudodiferenciais, que prova, por A+B, como qualquer idiota pode entender, que o senhor está errado!”


Obs.: Enfatize o “como qualquer idiota pode entender” e capriche nos nomes estrangeiros, com o respectivo sotaque.

 

8) “Fui abduzido”:
Esta é para desespero de causa, mas pode funcionar, principalmente se você não se importa que riam na sua cara, ou pelas suas costas e tal. Pelo menos você pode escapar virtualmente de qualquer coisa, desde namoradas ciumentas até crimes:


a)Por que você não quer mais fazer sexo comigo, bem?” = Fui abduzido, enfiaram uma sonda anal em mim (a do nariz também serve), então eu broxo (chore um pouco e depois fique olhando as sombras projetadas na parede pelo aparelho de televisão, enquanto faz o sinal vulcano de “vida longa e próspera”);
b)Onde você estava na noite do assassinato?” – Próxima Centauri, a 4,5 anos-luz da Terra (pegue uma caneta e desenhe um sistema solar, indicando precisamente a superfície do planeta onde estava);


Obs.: CONTRAINDICAÇÕES - Não tente esta mentira com usuários de drogas, hippies, wiccans, “mulheres que correm com os lobos”, leitores de ficção cientifica e outros newagers, pois eles vão te levar para um Grupo de Apoio a Abduzidos da cidade mais próxima.

 

 

9) “Eu ouvi vozes”:
Na linha da mentira anterior, mais apropriada se você quiser inspirar medo ou piedade no alvo da mentira, ao invés de gargalhadas. Também é capaz de surtir os efeitos mais impressionantes:


a)O senhor confirma, perante o Júri, que desferiu 47 facadas na sua ex-mulher”? – Sim, SATAN, príncipe do 7° decanato do 9° inferno, comandou a minha mão, enquanto me declamava poemas de William Blake. Tiger Tiger Burning bright... (Obs.: É o velho golpe da Insanidade Mental! Funciona melhor ainda se você babar ou lamber o braço de alguma autoridade!)
b)
Por que você deu aquela tesoura voadora, fazendo penalty aos 45 minutos do segundo tempo?!?!” – “Eu ouvi uma voz dizendo QUEBRA, Zelão, quebra o espinhaço dele!!! Aí pensei que era o técnico falando...”

Obs.: CONTRAINDICAÇÕES - Não usar este tipo de mentira em Centros Espíritas e demais puteiros espirituais, porque, claro, ninguém vai achar que você está maluco, e você vai passar a ser “médium”.

 

 

10) As mentiras “dadaístas”:
Uma classe quase desconhecida de mentiras, cuja técnica precisa ainda está sendo aprimorada nos laboratórios do mundo inteiro. Seu método consiste na utilização dos processos mecânicos do inconsciente das pessoas, fazendo com que as mesmas reajam a algo, que nem chega a ser uma mentira exatamente, de uma forma natural:


a) O vendedor de amendoim: “Vai aí, chefia, compra um amendoinzinhu” = É que eu estou gripado, posso não (você funga um pouco e vê o vendedor se afastar, intrigado).
b)Você já revisou o texto?” = Não admito racismo no ambiente de trabalho (e sai fazendo cara de indignado).
c)São sete horas da noite ou do dia?” = Não sei, não sei, não moro nem neste bairro!


Obs. Geral: No caso de mitômanos, aquele sujeito que nega peido até quando está sozinho, estas mentiras estão sumariamente desqualificadas, por impropriedade do agente.

No caso de situações não listadas acima, simplesmente NEGUE! Na dúvida, use as expressões “já estava assim quando eu cheguei” ou “no hablo su língua, señor” ou “você conhece o lôxas?”... Em último caso, escreva no nosso fórum, que funciona de segunda a sábado, das 7:00 às 14:00 horas, incluindo feriados, com profissionais extremamente gabaritados em extrair o pior do ser humano nas mais inusitadas situações.


(Nota Pessoal: Sua puta escrota mentirosa, eu telefonei para o número que você me deu e não está havendo nenhuma convenção de aeromoças em Jundiaí!)


 



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