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Como o calor fode os gordos. Todo mundo conhece um gordo, isto é inevitável - a não ser que você viva na Somália. Não tem como, numa turma, não ter um amigo gordo. Geralmente aquele imbecil, sempre engraçado, bobão e donzelo. Na verdade, é fundamental que num grupo social haja gordos, eles impedem a destruição da comunidade porque eles são mais acostumados a levar porrada, sempre estão na berlinda e quando alguém está puto, descarrega tudo no gordo. E está certo, este é um dos papéis que esta criatura imensa e deplorável exerce na sociedade hipermoderna. Nesta série de artigos, o Pântano vai fundo na análise comportamental dos paquidermes humanos.
Como o calor fode os gordos.
Não pode fazer 20ºC que os gordos estão suando bicas. A crosta de banha que envolve todo o seu corpo provoca um calor eterno, uma sudorese monstra. A camisa, tamanho LC (lona de circo), fica ensopada, fedorenta e com aquelas bolas de suor abaixo das axilas. E é este sintoma de calor insuportável que o gordo toma no papeiro, como tentaremos mostrar adiante.
Depois de ser o malhadão da turma (que é malhado pelos colegas) desde o jardim da infância até o começo da faculdade, eis que o gordo encontra alguma alma caridosa disposta a dar para ele. Claro que, em questão de segundos, ele se apaixona e se mija todo quando vê a mulher. Bronha é bóia no banheiro do gordo, mas agora que alguém está ao seu lado, o gordo é fiel, é amigo, é companheiro, é compreensivo, resumindo: é o capacho da mulher.
Depois de muita mão adiposa boba aqui, mão adiposa boba acolá, o gordo, enfim, consegue convencer à namorada que ela não morrerá sufocada se der pra ele. O dia é como se fosse final de copa do mundo: toma banho, escova cem vezes os dentes, faz as unhas amareladas e encravadas, passa xampu no cabelo seboso. Pega o carro, vai até a casa da gatinha, apanha-a no portão, etc.
Nesta hora, o gordo está para lá de serelepe, achando-se o comedor (antes mesmo de ter comido alguém). É o dia dele, é quando ele vai se igualar à categoria dos magros (pelo menos é o que ele pensa). Vai dizer pra si mesmo:
- Quando meus amigos falarem de xereca, vou saber do que se trata; quando meus amigos falarem de motel, vou saber do que se trata também, eu sou um campeão!
Não sabe o gordo as desgraças que estão por vir. Começa a situação ridícula no motel, onde o gordo não vai saber como agir, não sabe como é o modo operandi daquele antro de fornicação. Qual suíte pegar? A chave vai estar lá? É banheiro comunitário? O que é uma banheira? Será que eu caibo nela? Como operar aquilo tudo? E esse telefone, como faço pra ligar? Dentre outra milhares de dúvidas que povoam a cabecinha queijuda do adiposo.
Depois da menina já estar morta de vergonha das trapalhadas que ele fez, principalmente da maneira brincalhona imbecil que ele contornou os problemas e da carreira ridícula que ele deu pra ligar logo o ar-condicionado do quarto, além de, é claro, não ter arrumado ninguém melhor pra levar vara, lá estão os dois pombinhos no quarto, deitados, um olhando para o outro. O gordo vê a menina como Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a menina vê o gordo como "nâo tinha mais ninguém pra me encarar, vai esse mesmo".
A essas alturas, o gordo já está ensopado - o ar-condicionado do quarto ainda não chegou aos 14ºC. A confusão do panfleto do motel com as perguntas ridículas e a vergonha vez o gordo suar bicar. Subir os 10 degraus da escada fez o gordo suar bicas. Ele se toca disso, vê que está feito uma porca no cio de tão suado e, compreensivamente, querendo dar uma de experiente, fala baixinho para a sua salvadora:
- Amor, vou tomar um banho frio, volto logo.
Começa aí a desgraça absoluta na vida do mamão. Ele não sabe a merda que está fazendo, por isto entra no banheiro feliz. Mesmo sem usar o vaso, dá descarga para disfarçar o estrondoso peido - que vem segurando desde que a menina entrou no carro. Saboreia o peculiar odor, tira a enorme roupa e entra na ducha gelada. Enquanto isto, a menina fica vendo sacanagem para ver se se excita, afinal o que está no banheiro não é nenhum Tom Cruise. Para lavar toda a área do corpo, o gordo demora muito, e o ar gelando lá fora, a menina já está toda coberta com o lençol.
O barulho da água cessa, a menina muda de canal (afinal ela é moça de família), o gordo começa a se enxugar rapidamente, ansioso para, enfim, tirar o cabaço (dele, é lógico). O banheiro começa a esquentar, o gordo começa a suar. Antes disso ele abre a porta, completamente nu e corre em direção ao vento do ar-condicionado. A menina leva um susto ao ver aquela coisa enorme e patética, mal enxuto, de braços abertos na frente da corrente de ar gelada. O bilau do gordo - que já não é essas coisas - some, fica parecendo o menino Jesus no presépio. A menina brocha ao ver bizarra cena, é o fim da ida do gordo ao motel.
Paga a conta, quase chorando, ainda nu. A menina em pé, de braços cruzados, batendo um dos pezinhos, arrependida por ter nascido e odiando até a alma gorda do gordo. Vai deixar a menina em casa, não recebe nem beijinho, só o desprezo. Vai pra casa. Choramigando, bate uma bronha. Pensa em suicídio, mas não tem culhões pra isto. Vai dormir suado.
O pior - sempre pior - é outro dia. Mulher não consegue segurar a língua entre os dentes, comenta com a amiga, que comenta com a outra amiga que toda a faculdade fica sabendo em menos de uma hora. Fora, é claro, que o gordo, antes de ir para o motel, telefonou para todos os amigos e disse que faria e acontecia naquela noite. E a pergunta óbvia da rapaziada, no outro dia, é:
- E aí?
E aí que o gordo se fode, como sempre. Mas isto fica para outra história. |