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O plano de baixo nível para dominação mundial!
"A estratégia é sutil e implacável, não será demais dizer que logo mudarão a percepção do nanismo neste planeta", a assustadora afirmação de Mike Tampher faz parte do depoimento que este pequeno empresário cedeu para a Comissão de Investigação Cultural do Congresso americano.
Discreto, de vestimenta simples para sua elevada faixa de renda, amável, Mike passa ao largo de lembrar a imagem de Diretor adjunto do Conselho Superior da Liga do Nanismo Satânico, cargo em que exerceu do final da década de 60 até hoje.
Discípulo de Anton Lavey, foi um dos primeiros membros da divisão de nanistas hedonistas da recém-inaugurada Igreja de Satan na Califórnia. Promovendo rituais adaptados à sua condição, Mr.L - Presidente até os dias atuais que Mike se nega a nomear, preferindo utilizar seu codinome - enxergou no que seria a aurora de um novo Aeon a possibilidade de libertação dos anões, escravos de arquétipos religiosos e sociais de uma sociedade de estatura mais elevada.
"Nossos rituais eram decorados com um Baphomet nanico e nosso pentagrama se inscrevia dentro do pentagrama original da ordem", relembra Mike. Em suas missas negras promoviam orgias com anãs, resgatando uma alegada sensualidade concentrada tão vilipendiada pela Igreja. Nas palestras do grupo retiravam do limbo grandes nomes da História do Nanismo que foram conspurgados pela História dos mais altos, como a vida de Thomas Priestley, alquimista tardio de Londres que confindenciou sua descoberta da existência do oxigênio a seu primo Joseph Priestley que logo roubou a autoria de tal descoberta sendo posteriormente também roubado por Lavoisier em uma noitada regada a vinho do tipo em que as proteções mentais de idéias originais se perdem no fluxo etílico; zelosos em tirar do ostracismo figuras como Petar Mladênov, pároco da Igreja Ortodoxa Búlgara que delineou as leias da evolução das espécias trinta anos antes de Darwin nascer.
Trabalhando ao lado - achavam ofensa pessoal serem considerados como trabalhando abaixo do grupo de Lavey - buscavam consolidar a figura de um novo homem anão que pudesse substituir os tradicionais ícones religiosos. "Tínhamos a noção que o cinema iria construir o panteão do novo mundo, os atores herdariam naturalmente a devoção dos fiéis", pontifica Mike. Já na década de 70 a LNS através de seus milionários membros acionistas dos grandes estúdios garantiu o lobby necessário para a ascensão do ator Hervé Vilechaise, garantindo-lhe um lugar como digno vilão de James Bond e protagonista permanente do seriado "A Ilha da Fantasia".

Hervé numa das cenas de "Ilha da fantasia"
Mike comenta a série: "A Ilha era emblemático. Sem o telespectador se dar conta, estávamos projetando em seu inconsciente através de uma metáfora, a chegada do homem a um novo mundo em que flores, um velho e um anão lhes dariam as boas vindas".
Com o passar dos anos no entanto a progressão da investida anã definhou pela perda de força da LNS dentro das estruturas de poder da Igreja de Satan e assim a maior participação de atores nanicos não pôde se concretizar. A liga conseguiu efetizar um ou outro anão nas projeções das salas, como o protagonista de Willow, ou os anões subliminares como o ET, os Ewoks e o mestre Yoda ou os anões profanos de alguns filmes de David Lynch. No final da década de 90 ainda tiveram um anão negro galanteador de mulheres altas e lutador de artes marciais da torpe comédia "Eu, eu mesmo e Irene".
Entretando a cartada de mestre viria com a virada do novo milênio, como vemos na assustadora explanação de Mike: "Foi fundamental a pressão de Margareth Woodmill, ex-mulher de Alan Horn, presidente da Warner para que o projeto de "O Senhor dos Anéis" ganhasse vida: Não podíamos perder esta chance, Tolkien já havia nos favorecido na frente literária, mas sabíamos que com o marketing certo e com uma produção cuidadosa poderíamos incutir na mente das pessoas que este seria o maior filme da vida delas, o Olimpo preponderante que traria um Deus protagonista que seria um anão como todos os conhecemos mas com um nome mais eufemizado, um hobbit seria o novo Messias!".
Ainda avesso a uma maior devassa de sua pequena conspiração, Mike deverá passar pelo menos até o final de Outubro prestando esclarecimentos à Comissão, protegido pelo FBI que incitado pela onda religiosa conservadora iniciada este semestre pelo governo Bush promete investigar as subterrâneas relações que norteiam o alinhamento cultural do cinema americano.
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